No teatro que move minha vida, eu sou a única que consegue desfrutar de cada drama, viver cada ato, saber de todos os atores. No teatro que move a minha vida, apenas eu distingo a realidade da peça, apenas eu vivo a comédia, conheço de todas as farsas e aprendo todos os truque. No teatro que move minha vida, apenas eu conheço todos os espetáculos.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Parenteses

- Tenho também uma flor.
- Nós não anotamos flores - disse o geógrafo.
- Por que não? É o mais bonito!
- Porque flores são efêmeras.
- Que quer dizer "efêmeras"?
- Os livros de geografia - disse o geógrafo - são os mais exatos. Nunca ficam ultrapassados. É muito raro que uma montanha mude de lugar. É muito raro um oceano secar. Nós escrevemos coisas eternas.
- Mas os vulcões extintos podem voltar à atividade - interrompeu o Pequeno Príncipe - Que quer dizer "efêmera"?
- Que os vulcões estejam extintos ou não, isso dá no mesmo para nós - disse o geógrafo. - O que nos interessa é a montanha, ela não muda.
- Mas que quer dizer "efêmera"? - repetiu o pricipezinho que jamais renuciaria a uma pergunta que tivesse feito.
- Quer dizer "ameaçada de desaparecer brevemente"
- Minha flor está ameaçada de desaparecer brevemente?
- Sem dúvida.
"Minha flor é efêmera", pensou o Pequeno Príncipe, "e não tem mais que quatro espinhos para defender-se do mundo! E eu a deixei sozinha!"
Esse foi seu primeiro gesto de remorso.

(Le petit prince, pág. 56)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Passado


O melhor do tempo é algo tão banal que às vezes nem percebemos, nem damos atenção. O melhor do tempo, é que ele sempre passa. Não importando o que temos que enfrentar pra finalmente ele deixar de ser presente. É uma lei tão inevitável quanto respirar.
Tudo visto de longe parece pequeno, distorcido. Parece pontos borrados e perdidos no tempo. 
O passado só preenche nossa memória sem nos deixar perceber a grandeza que as coisas já alcançaram ou mesmo a intensidade de que tudo já chegou a ser.
Nossos medos, nossos problemas, nossas histórias e nossos amores, tudo se afasta de nós e nessas horas percebemos como hoje existe coisas maiores tomando nossa mente. Percebemos que nem lembramos do que exatamente deixou de ser presente.
É engraçado poder perceber o quanto nós damos nó em nossas próprias linhas, é engraçado ver de como misteriosamente conseguimos puxar e a linha torna a ficar plana, sem elevações.Talvez esta seja a graça da viver, poder bagunçar e poder arrumar.
Verdadeiramente falando, deixamos coisas pra lá pra poder se concentrar no que está por vim, deixamos esquecer como ocorreu e como superamos, mas nunca deixamos de esquecer o que aprendemos com cada errinho que pareciam errões.  
Mas sinceramente, o melhor é saber que diante o tempo que passa, diante do tempo que te faz crescer, seus problemas se desmancham feito bolhas de sabão, sem nem explicação.

sábado, 11 de dezembro de 2010





Se você vier me procurar
O que acho que vais fazer
Saiba que nunca deixei de te amar
Por isso que deixei isso aqui pra você ler.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Em cada verdade, o medo da mentira

Não é que eu tenha medo de viver nossa vida, eu tenho medo de perceber que nossa vida não existe.


sábado, 13 de novembro de 2010

Romeo & Juliet?


Primeiro veio o não, e sem nos darmos conta estávamos negando sem querer convencer ninguém mais, exceto nós mesmos.
Negando-me admitir, até mesmo nas tardes da noite, tudo o que eu sentia por ti, repetia a mesma mentira para que se tornasse verdade. Castigava-me saber que se aquilo era nada, o que poderia ser tudo? Havia de ser algo, não havia de ser nada. E foi com este pensamento que a minha falsa verdade se tornou mentira.
Eres igualmente culpada, sorriste para mim todas as vezes que me viste passar.
Lembro-me da época que não havia sangue e iniciei a cair na tentação do meu coração buscando boca tua, pele tua, amor teu.
E então a tragédia começou dando os primeiros toques sutis e quase nem percebi a diferença, mas consciente que nada havia de estar igual.
Lagrimas brotavam em teus olhos em uma freqüência maior do que gostaria de ver e percebi que eras tu o teu próprio mal. Afim de querer te ver bem novamente, tentei te afastar de você mesma e quase consegui, mas falhei. Não contigo, e sim comigo.
Quando não eras mais tu, não te amava mais.
Precisava eu te ver cair em teus próprios pesadelos para poder eu me erguer em meus sonhos?
Sem agüentar tamanho atrevimento do meu ato, deixei-te. E ainda olhei para trás ao ir embora, e deixei naquele momento uma parte de mim com você. Ou já tinha deixado, mas não tinha percebido.
 Foi este o nosso veneno, amavámos por quem erámos. Veneno que foi injetado em nossos corações e que se espalhou pela a corrente sanguínea deixando ardência em cada membro que ele tomava conta.
Fantasmas começaram a rondar onde eu habitava e sua voz vinha sugando o resto de sanidade que ainda me restava. Há de sermos, eu e tu, Romeo e Julieta?
Ainda permanecemos aqui, a carne e a ossos, é verdade. Mas podemos dizer o mesmo a respeito de nossos corações? Ainda há vida neles? Ainda há chance de se apaixonarem novamente?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Viver, até mesmo sem enteder

Quando eu digo que eu falo respondendo mais a mim mesma que aos outros, é porque há em mim uma inquietação que lateja forte nas veias me fazendo falar sobre o que menos sei em busca de achar, por fim, uma resposta que seja boa ao menos para mim.
Vou me classificando como inconstante e insolúvel. Vou me metamorfoseando afim de descobrir que jeito sou me agrada mais e se abusar, mudar de estado quimico e/ou fisico de novo e de novo, só porque posso.
Sentir é algo que percorre seu corpo e grita te contando que estais viva mesmo sem saber viver, e vai errando até aprender a acertar, só pela a graça de tentar.
Não estou afim de formular, nem mesmo para mim, uma única formula de ser feliz e me concentrar sempre na mesma variável. Quero o novo de novo até o meu ritmo cessar e eu me aquietar descobrindo e entendendo o que me move, mas sem poder falar.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quando estiver no lugar sem fim

Não tenho a intenção de me transformar em um fantasma acorrentado há sombras de uma vida que não existe mais, mas também não tenho a pretensão de me tornar um anjo e guardar todos vocês, desejo apenas que quando estiver em um lugar sem fim, exista pelo menos alguém que acredite em mim, que pense em mim, que se lembre de mim.
Não peço que tentem me fazer presente, só não esqueçam que eu de fato já estive. Desejo apenas ter marcado alguém, ter ajudado a construir alguém. Peço que não tenham medo de falar de mim ou citar meu nome claramente, que se lembrem do meu riso e do meu toque.
Evitem me transformar em um herói que sei que não sou, e me acrescentar qualidades que sei que não tenho, apenas me mantenham do jeito que fui, pois me basta o que sou.
Não se sintam incapazes de superar e se alguém sentir muitas saudades de mim, apenas lembre do que eu pensava, pois enquanto meu pensamento existir, eu nunca irei.